praerigidus

As to be, one cannot entirely be without letting be what one is.

Month: March, 2016

XXXIX

It is indeed enthralling how some have an everlasting way to revolve around one’s mind.

XXXVIII

Aleatoriedade, que outra razão terá tanta compaixão?
Se na aleatoriedade viver
Quanto de mim ficarei a conhecer?
Caberá ao aleatório revelar-me a razão
De tanto eu ser tanto eu que acabo por pensar
Se mais de mim quero exalar
Porta a porta terei de bater
Até um dia, alguém, serei eu? Responder.

 

XXXVII

Definições, porque são sensíveis ao mais rebelde raciocínio, que incomodado deambule por caminhos outrora sinuosos de difícil acesso sem hipótese de regresso, por que julgam vós que necessitaríamos de definir algo que por si mesmo se define em movimentos poeticamente sublimes e de orquestrada organização. Caso não faça qualquer sentido, ambíguo como o próprio sentido, aquilo que te cobre pouco sentido possui mas haverá algo mais real que a sua própria existência? E é na ausência de encandeamento que aos nossos olhos se revela, definida, por pontos unida, inacabada em incessante construção, pode ser sem qualquer dúvida uma bela metáfora para aquilo que somos, matéria inacabada, que mesmo depois de sucumbir nunca deixa de ser mutável até que em vagos pontos se torne, acabando por se unir a tantos outros momentos de construção, assim és, assim nos tomas, e por fim, assim nos deixarás, sem que de ti saiba mais do que qualquer outro eu que vivi.

XXXVI

Insuflado por ti sou
Perdido em cada traço teu
À deriva em ti encontro-me eu
Guardado em ti estou
Com intenção de permanecer
Até que nos faça renascer
Roubar ao tempo aquilo que de ti me privou.

XXXV

Se na prosa me encontro e na dança de palavreado me descubro, imaterial como a vontade, tenro volátil e de parca maturidade, para me vir a conhecer mais devaneio terei de ser.

XXXIV

Somos ditados pelo que o hábito nos dita, personificados pelo costume de simplesmente ser, reflectir, abrandar, por fim escutar, para que mais que hábito possamos ser.

XXXIII

Posso nunca te compreender
Imaterial, intermitente mas sublime
Contra a ti nada tenho a temer
De pé, prostrado, mas sempre firme
Enquanto por ti espero, célere de viver
Edifico-te, personificação de algo
Que espero um dia poder ver .

XXXII

Vontade, porque tudo se rege por ela, invisível mas arrebatadora, talvez seja a força universal de mais difícil explicação, pouco se sabe de onde vem e onde nos leva, imóveis ou em movimento, sobressiste a vontade, letargia ou criação, a vontade nunca é em vão. Moveu-nos por séculos de descobertas nas mais eloquentes áreas. É com imensa vontade que vivo, e, como cada qual, vontade tenho de continuar a viver, de que forma apenas sei, que pela vontade viverei.