praerigidus

As to be, one cannot entirely be without letting be what one is.

Month: May, 2015

XXIV

Existem alturas em que ceder parece apenas o unico desfecho perante as vicissitudes da vida, estamos presos num ciclo, vicioso ou não este ciclo consome-nos de mais a mais e há dias que tais em que o consumo é deveras exarcebado, livrarmo-nos deste peso incumbido pela dita sociedade, pelas relações afectivas, enfim por tanto tudo e tanto nada, é decerto a realização de um estado de ataraxia com o eu e com o todo que nos rodeia. Não é de estranhar que o sentimento de fuga esteja presente em qualquer ser, pelas mais variadas razões cuja enumeração é tão extensa que me perderia no tentar, e sem querer dar aso a juízos de valor em torno de tais razões cinjo-me apenas a uma, viver.

Intermitências

Agarro-me a algo que não possuo, ontologicamente pensando o ser existe enquanto o é, enquanto todo se define, mas que é dele após cessar funções, deixar de ser ser ou permanece permanente enquanto figura consciente desprovida da existência daquilo que julgou ser? Há tanto em mim quanto aquilo que consiga medir, tanto mais existirá para lá de mim mas não estou provido de visão que permita uma medição mais complexa daquilo que sou. Até onde vou? A resposta é vaga, não por não o sabermos mas pela sua ininteligibilidade, existe decerto uma falta de identidade em cada um de nós, maior nuns que noutros evidentemente, ai reside o cerne de toda a procura, quem de mim falta, e como em mim me encontro?

Que não é a consciência se não o ser materializado na sua própria matéria.