XXIII

Sou sentido sou por ti percorrido, estrondo ofusca neblina que paira, o meu ver torna-se incapaz de te apreender consumir ver ter. Não é não e não são poucos os que não são então dá-me a tua pequena delicada e frágil mão para que possa então dominado pela sede de tão grande sensação deleitar-me afundar-me prostrar-me em abismal fosso por onde caio e me levanto e sem forças volto a cair em falso vão. Volto a entrar pela porta que me trouxe até ti, espaço apertado enclausurado estou, escapatória impossível e o meu discurso perde-se a meio do credível, intangível momento em espaço torto fosco, vidro partido do que já senti. Ubíquo estar sentado ao teu lado para qualquer lado que te vires e me encontres em ti e eu olho-te com tão doloroso olhar só de cogitar e agitar a caixa que carrego no topo do que sou, ou penso ser. Carrego, descarrego, acarto, pouso, só para mais uma vez te voltar a erguer.