praerigidus

As to be, one cannot entirely be without letting be what one is.

Month: February, 2015

XXII

Fascinas-me. Desde que me recordo. A tua presença sempre se fez notar, e sempre que te percebo lá ao longe sinto uma atracção dificilmente explicável. Talvez não seja assim tão inexplicável, mas a razão do nosso amor, essa, essa ficará apenas para ti, grave e cínica, até que um dia desças graciosamente com a resposta na superfície enrugada que tão sublime caracteriza o teu corpo.

XXI

Fazer-te frente, encarar-te somente
Trémulo e franzino, amedrontado me sinto
Pois tu ditas, ordenas e comandas
Em toda a acção colocas, o teu cunho pesado
Aqui fico eu prostrado, inacabado e vazio
À procura que me insufles e me tomes pela mão
Somos dois, eu e tu, todos e ninguém
De lá para cá e daqui para além
És o meu tormento, a minha salvação
Sem ti sou só mais um, mas um já fui
Mortal, de carne e osso
Envolves me do limite até ao fosso

XX

Somos o que foram, serão o que somos.